O segmento latino-americano de óleo e gás inicia 2026 em um ponto de inflexão: riscos geopolíticos persistem, há sinais de excesso de oferta global no horizonte e, ao mesmo tempo, fundamentos sólidos seguem amparando empresas com disciplina de capital.
Relatório setorial do BTG Pactual aponta que, apesar da volatilidade do Brent, o mercado ainda oferece oportunidades seletivas, especialmente entre produtores com forte geração de caixa e valuation descontado.
Na última semana, o Brent avançou cerca de 3,7%, para US$ 61,5 por barril, sustentado por maior pressão econômica dos EUA sobre o petróleo venezuelano e por ataques aéreos contra extremistas na Nigéria.
Esses vetores de alta, porém, foram parcialmente compensados pelas tratativas de paz entre Rússia e Ucrânia e pelo receio de um possível superávit global de petróleo em 2026.
O banco ressalta que a leitura tática requer prudência no curto prazo, mas não invalida cenários construtivos para nomes bem posicionados na curva de custos e com portfólios resilientes. Na visão do BTG, selecionar ativos com balanços robustos e visibilidade de projetos continua sendo essencial.
No upstream, o comportamento dos principais players divergiu. A PRIO acompanhou a valorização do Brent, entregando performance semanal mais forte, enquanto a Petrobras teve alta mais contida após os sindicatos aceitarem proposta revisada da companhia.
Ainda assim, a estatal permanece como principal aposta do setor, combinando múltiplos atrativos, geração de caixa consistente e alto retorno ao acionista. PRIO, PetroReconcavo e Brava Energia se destacam por FCFE yields elevados, reflexo de estruturas de custo enxutas.
No downstream, o BTG destaca o bom desempenho de Vibra e Ultrapar, embasado por dados resilientes de vendas de combustíveis da ANP, que reforçam ganhos de participação e maior estabilidade de margens.
O relatório também liga o alerta para a distribuição de gás no Brasil, após o Ministério de Minas e Energia sinalizar preocupação com o avanço tarifário. Esse tema pode ganhar tração regulatória e afetar ativos da cadeia gasífera em 2026, exigindo monitoramento constante por parte dos investidores.
Em síntese, o setor de óleo e gás entra no ano com assimetrias relevantes: a volatilidade do Brent convive com valuations atrativos e geração de caixa sólida em empresas selecionadas.
A estratégia, segundo o BTG, é manter foco em qualidade, custo competitivo e potencial de retorno ao acionista, sem perder de vista o risco regulatório e o ciclo de oferta global.