A Polícia Federal intensificou a Operação Compliance Zero nesta quarta-feira (14), ampliando o escopo das investigações que alcançam o Banco Master e executivos do mercado financeiro. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF, em endereços ligados ao controlador Daniel Vorcaro, a familiares e a empresários, entre eles João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. A ofensiva mira possíveis conexões entre estruturas financeiras, governança e fluxos de recursos.
Quem é João Carlos Mansur? O executivo é economista formado pela Fundação Armando Alvares Penteado e contador pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo. Antes de empreender, atuou em grandes corporações e consultorias como PwC, Monsanto, Trump Realty Brazil e WTorre, acumulando experiência em auditoria, real estate e finanças corporativas.
Em 2012, Mansur criou a Reag Investimentos, que ganhou tração com uma estratégia centrada em mandatos de fundos exclusivos, usados por famílias de alta renda para gestão de patrimônio. Essa abordagem permitiu escala rápida e posicionou a gestora em nichos sofisticados, elevando a reputação do fundador em operações estruturadas e de alto valor agregado no mercado nacional.
A relação com o Banco Master é um dos focos da apuração. A Reag administra fundos vinculados à instituição, o que cria pontos de interseção entre gestora, banco e relações pessoais. Para a PF, esses vínculos podem ajudar a esclarecer eventuais canais de governança e compliance que sustentaram operações hoje sob escrutínio.
Outras frentes também cercam o empresário. Em outubro de 2023, ele foi alvo de investigação sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o PCC por meio de fundos de investimento. Em agosto do mesmo ano, participou da Operação Carbono Oculto. Já em setembro, renunciou à presidência do conselho da Reag, movimento interpretado como tentativa de blindagem institucional.
A Reag afirmou colaborar integralmente com as autoridades, fornecendo documentos e informações solicitadas. A expectativa é que os resultados das diligências desta fase da Operação Compliance Zero tragam mais clareza sobre o papel de cada agente e os mecanismos utilizados. Em paralelo, o mercado observa com cautela os desdobramentos e possíveis impactos regulatórios.