A autoridade monetária brasileira manteve a taxa Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (28), na primeira reunião de 2026 do Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão marca a quinta manutenção consecutiva dos juros no maior patamar desde julho de 2006, reforçando o compromisso com o combate à inflação. Em paralelo, o cenário externo segue desafiador, com bancos centrais adotando posturas cautelosas.
O Banco Central citou riscos inflacionários acima do teto da meta, incertezas sobre o arcabouço fiscal e volatilidade internacional como fatores determinantes. No mesmo dia, o Federal Reserve manteve as taxas entre 3,50% e 3,75% ao ano, sinalizando prudência global. Esse alinhamento reforça a leitura de que o ciclo de flexibilização dependerá de dados mais benignos.
Segundo o Boletim Focus, a projeção para a Selic ao fim de 2026 está em 12,25%. Analistas veem alta probabilidade de início do afrouxamento monetário já na próxima reunião do Copom, em março. A leitura é de que, com inflação corrente cedendo e expectativas ancoradas, haverá espaço para cortes graduais.
Expectativas do mercado apontam para cortes em ritmo moderado, preservando a credibilidade da política monetária. A autoridade monetária deve buscar sinais mais consistentes de desaceleração de preços e maior clareza fiscal antes de reduzir os juros. A trajetória dependerá da dinâmica de inflação de serviços, hiato do produto e quadro fiscal.
Perspectivas para a economia e a taxa Selic
O ciclo de redução, se confirmado, pode aliviar o custo de crédito e impulsionar setores sensíveis a juros. A política monetária seguirá condicionada à evolução do núcleo de inflação e à resposta da atividade. Movimentos bruscos seguem improváveis, com o Copom priorizando previsibilidade.
Para investidores, a manutenção abre espaço para reprecificação gradual da curva de juros, favorecendo ativos prefixados e atrelados à inflação. Já famílias e empresas podem ver melhora no custo financeiro ao longo do ano, caso os cortes avancem após março. No horizonte, a consolidação fiscal permanece peça-chave.
Na leitura final, a taxa Selic estável em 15% reforça prudência enquanto o Copom busca equilíbrio entre inflação e atividade. O mercado aguarda a comunicação de março para calibrar cenários. A partir de dados mais favoráveis e visibilidade fiscal, o espaço para afrouxamento tende a se ampliar.