A Grupo Fictor e Fictor Invest protocolaram pedido de recuperação judicial no TJ-SP na terça-feira (1), com objetivo de reorganizar passivos de cerca de R$ 4 bilhões. A holding solicitou stay period de 180 dias para suspender cobranças e execuções enquanto negocia com credores. O grupo afirma que as operações das subsidiárias seguem inalteradas durante o processo.
Segundo a companhia, o pedido busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros” por meio de uma negociação estruturada. O plano prevê quitar integralmente as dívidas, sem deságio, preservando a continuidade do negócio e a manutenção de contratos com clientes e fornecedores.
A empresa relaciona a crise de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Bacen em novembro. Um consórcio liderado por um sócio da Fictor havia apresentado proposta de aquisição da instituição, o que foi seguido, no dia seguinte, pela liquidação. O Grupo Fictor sustenta que o caso gerou “forte impacto reputacional” e desencadeou “especulações e grande volume de notícias negativas”.
Esses fatores afetaram a confiança de mercado, ampliando a pressão sobre captações e prazos de pagamento. Em resposta, a companhia adotou medidas emergenciais de gestão de caixa e reforço de governança. Entre as iniciativas, foram priorizados pagamentos essenciais para preservar a atividade operacional e reduzir riscos jurídicos.
Para mitigar os efeitos da crise, a Fictor implementou um plano de reestruturação com enxugamento da estrutura física, renegociação de contratos e demissões, garantindo as indenizações trabalhistas. A empresa afirma que não possuía histórico de atrasos financeiros antes do episódio e que a deterioração foi pontual e exógena.
Com o pedido, o Grupo Fictor pretende estabilizar o ambiente de negociações, preservar valor e assegurar tratamento isonômico aos credores. A expectativa é de que, sob proteção do juízo, as conversas avancem para um plano que recupere liquidez, restabeleça a confiança e mantenha a geração de caixa operacional.