A ações da Porto (PSSA3) lideravam as quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (5), recuando 3,56% e negociadas a R$ 50,66 às 11h30. O movimento ocorre após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2025, que, apesar de números sólidos, frustrou parte das expectativas do mercado. Investidores reagem a sinais de pressão em despesas e a um guidance mais conservador para 2026, o que pesa no sentimento de curto prazo.
No quarto trimestre de 2025, a Porto reportou lucro líquido de R$ 839 milhões, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2024. A receita total avançou 8,1% no comparativo anual, somando R$ 10,63 bilhões. Mesmo assim, as ações da Porto operam em baixa, refletindo a leitura de que a qualidade do resultado foi mista, com avanços operacionais compensados por custos crescentes e projeções prudentes.
Entre os principais indicadores, as despesas operacionais subiram 13,3% na base anual, alcançando R$ 938,3 milhões. O resultado financeiro foi de R$ 289 milhões no trimestre, alta de 6% frente a 2024, e acumulou R$ 1,43 bilhão em 2025. Analistas apontam que o aumento de despesas pressiona margens, enquanto o crescimento do resultado financeiro, embora positivo, desacelera frente trimestres anteriores. A combinação reforça a cautela dos investidores.
Diante disso, o guidance divulgado pela companhia chamou atenção pelo tom conservador. A Porto projetou resultado financeiro entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,8 bilhão para 2026, intervalo considerado comedido pelo mercado. Para o PortoServiço, a expectativa é de receita entre R$ 2,6 bilhões e R$ 2,9 bilhões. O PortoBank deve gerar de R$ 7,5 bilhões a R$ 7,9 bilhões, com taxa efetiva de imposto entre 28% e 32%.
A leitura inicial é que o conservadorismo do guidance eleva a incerteza sobre o crescimento de lucros no próximo ano. Embora o lucro do 4T25 tenha vindo forte, a aceleração das despesas e a projeção mais moderada sugerem um ritmo de expansão menos robusto em 2026. Isso pressiona múltiplos e justifica o ajuste nos preços de PSSA3 no curto prazo, segundo casas de análise.
Para o investidor, o foco deve recair na execução das frentes de PortoServiço e PortoBank, que seguem como vetores de diversificação de receitas. Se a companhia entregar margens melhores e controlar despesas, o papel pode recuperar tração. Por ora, o mercado ajusta expectativas ao novo cenário, enquanto monitora o comportamento do resultado financeiro e a efetiva captura de eficiência operacional pelas ações da Porto.