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Eneva despenca 13% com teto da Aneel abaixo do previsto; entenda

Eneva despenca 13% com teto da Aneel abaixo do previsto; entenda
Eneva (ENEV3). Foto: Pixabay

A ações da Eneva (ENEV3) recuavam 13,04% nesta sessão, cotadas a R$ 19,08 por volta das 13h30, liderando as quedas do Ibovespa. O movimento ocorre após decisão da Aneel sobre o próximo leilão de energia, que contrariou expectativas do mercado e acendeu alertas sobre a atratividade de novos projetos. Investidores reagiram de forma imediata, elevando a pressão vendedora e ampliando a volatilidade do papel.

A Agência Nacional de Energia Elétrica definiu preços-teto para o certame de março abaixo do projetado por analistas: R$ 128/MWh para usinas existentes e R$ 182/MWh para novos empreendimentos. A sinalização indica um ambiente mais competitivo e margens potencialmente comprimidas para geradoras, sobretudo as com foco em termelétricas.

O mercado, por sua vez, trabalhava com valores próximos a R$ 250/MWh, segundo casas de análise. A discrepância entre o esperado e o anunciado foi interpretada como surpresa negativa, aumentando a aversão a risco no setor e, em especial, nas ações da Eneva. A reação se somou a um cenário macro de maior seletividade dos investidores em utilities.

A separação de projetos entre usinas existentes e novas não era amplamente precificada e elevou a percepção de risco regulatório. Mudanças na modelagem do leilão podem afetar a precificação de contratos e o cronograma de investimentos, adicionando incerteza a fluxos de caixa futuros. Para parte dos analistas, o ajuste exige reavaliação das premissas de retorno.

A Eneva tem forte exposição à geração termelétrica e a estratégia de expansão depende da viabilidade dos leilões. Os tetos mais baixos podem reduzir a atratividade econômica, comprimir spreads e limitar o potencial de retorno no longo prazo. Em contrapartida, ganhos de eficiência operacional e alocação disciplinada de capital podem mitigar parte do impacto.

No curto prazo, a gestão deve reavaliar o portfólio de projetos, priorizando iniciativas com melhor relação risco-retorno. No médio e longo prazo, a companhia pode buscar diversificação de contratos e otimização de custos para preservar margens. A visibilidade sobre o desenho final do leilão e eventuais ajustes regulatórios será determinante para a recuperação das ações da Eneva.

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