A Vale (VALE3) reportou prejuízo atribuível aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o desempenho do ano anterior e superando as perdas de US$ 694 milhões registradas no 4T24. O resultado veio em linha com o cenário já precificado pelo mercado, segundo casas de análise, e refletiu um ambiente operacional mais desafiador para a companhia.
Desconsiderando os efeitos de Brumadinho, a descaracterização de barragens e itens não recorrentes, a mineradora teria apurado lucro líquido de US$ 1,4 bilhão no trimestre. Esse ajuste evidencia a resiliência do core business, apesar dos impactos extraordinários. Os analistas apontam que tais efeitos não caixa continuam a distorcer a leitura do desempenho operacional.
No ano de 2025, a Vale apresentou lucro líquido de R$ 2,35 bilhões atribuível aos acionistas, uma queda de 62% em relação a 2024. O recuo anual reflete menores preços realizados e pressões de custo que comprimiram margens ao longo do período, além de um mix de qualidade e volumes aquém do ideal em alguns embarques.
Pela manhã, as ações VALE3 operaram em baixa, caindo 1,43% para R$ 87,95 por volta das 11h, em movimento de ajuste após a divulgação do balanço. A reação moderada sugere que os investidores já antecipavam números mais fracos, limitando movimentos mais acentuados no curto prazo.
Os resultados da Vale atenderam às expectativas do mercado, sem surpresas significativamente negativas. UBS BB e XP ressaltaram que a fraqueza já estava no radar, com o UBS destacando margens pressionadas e a XP reforçando o papel do minério de ferro no trimestre. Entre as leituras setoriais, houve foco na disciplina de capital e na execução operacional.
Menores preços realizados e custos de produção mais altos foram citados como vetores de compressão de margens. O UBS apontou que a dinâmica de preço do minério, combinada a custos logísticos e de insumos, limitou a expansão de rentabilidade. A XP observou que o ambiente desafiador do minério já era visível ao longo do trimestre, reforçando cautela tática.
Outlook e drivers H2
Para frente, a performance de resultados da Vale segue atrelada à demanda chinesa, à dinâmica do minério de ferro e ao ritmo de recomposição de margens. A volatilidade deve permanecer elevada, enquanto o mercado monitora sinalizações de estímulos na China, avanços em projetos, disciplina de capex e eventuais desinvestimentos.