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Azul capta R$ 7,4 bilhões em oferta e converte dívidas no Chapter 11

Azul (AZUL4). Foto: Divulgação

Azul (AZUL4). Foto: Divulgação

A Azul concluiu uma captação de R$ 7,44 bilhões por meio de oferta pública primária, anunciada nesta terça-feira (6), como parte do processo de recuperação judicial Chapter 11 nos Estados Unidos. A operação implicou diluição substancial dos atuais acionistas, mas reduz pressões financeiras imediatas e fortalece o balanço ao converter dívidas em capital. A companhia ressaltou que esta é a primeira de duas ofertas previstas em seu plano de reestruturação.

A emissão envolveu mais de 1,44 trilhão de novas ações, divididas entre 723,8 bilhões de ordinárias e 723,8 bilhões de preferenciais. Os preços unitários foram de R$ 0,00013527 para ordinárias e R$ 0,01014509 para preferenciais, refletindo o patrimônio líquido negativo no momento da operação. A alocação buscou acomodar credores financeiros e investidores, assegurando liquidez pós-oferta.

Desde dezembro, os papéis passaram a ser negociados sob novos códigos, com destaque para AZUL54 (preferenciais) e AZUL53 (ordinárias). Com a conclusão da oferta, o capital social avançou para R$ 14,57 bilhões, agora composto por 725,9 bilhões de ações ordinárias e 724,7 bilhões de preferenciais. A reconfiguração acionária foi desenhada para facilitar a conversão de passivos e a reorganização societária.

A vinculação ao Chapter 11 foi central para o êxito da transação, pois permitiu a capitalização de cerca de R$ 7,4 bilhões em dívidas financeiras. Notadamente, as senior notes com vencimentos entre 2028 e 2030 foram convertidas em ações, com perdão integral dos juros acumulados, reduzindo alavancagem e despesas financeiras futuras. Isso melhora o perfil de crédito e amplia a flexibilidade para a retomada operacional.

Para o investidor, a diluição é relevante e altera a participação relativa no capital. Ainda assim, a troca de dívida por equity mitiga o risco de insolvência e cria um caminho para a normalização da estrutura de capital. A empresa enfatizou que a segunda oferta pública segue no plano e poderá ajustar novamente a base acionária, conforme as condições de mercado.

No curto prazo, a prioridade é preservar caixa, estabilizar operações e reconquistar confiança do mercado. Em paralelo, a Azul deverá perseguir ganhos de eficiência, renegociações contratuais e disciplina de capacidade, enquanto o mercado acompanha a execução do plano de reestruturação e a evolução da governança.

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