O setor de moda brasileiro enfrenta pressão renovada por causa dos preços altos e da concorrência internacional, mesmo com a valorização do real em 2025. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (22), o BTG Pactual aponta desafios crescentes para varejistas como C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3), em meio a um consumidor mais sensível a preço e a um cenário macro ainda restritivo.
Por que o Brasil é caro para moda? O Zara Index 2026, elaborado pelo BTG, mostra que itens da marca custam 3% mais no Brasil do que nos Estados Unidos. Quando se ajusta pela paridade do poder de compra, a diferença salta para 123%, evidenciando custos estruturais, carga tributária e ineficiências na cadeia.
Como a Shein afeta as varejistas locais? Mesmo após a taxação de importações até US$ 50, a plataforma chinesa preserva vantagem. Em cestas comparáveis, a Shein pratica valores 6% abaixo da Guararapes (GUAR3), 10% menores que a Lojas Renner e 13% inferiores à C&A, reforçando a pressão promocional e o apelo de conveniência.
Quais os impactos no consumo? O primeiro semestre positivo de 2025 deu lugar à desaceleração. Juros elevados, endividamento familiar e inflação acumulada corroeram a renda disponível, especialmente nas classes baixa e média, comprimindo volumes e exigindo maior intensidade de descontos.
Como o BTG revisou suas projeções? O banco reduziu estimativas, em média, em 1,3% para receita, 2,7% para EBITDA e 3,2% para lucro líquido. Apesar disso, o recuo das cotações tornou o setor relativamente atrativo, com múltiplos ao redor de 8 vezes o lucro estimado para 2026, sugerindo assimetria para nomes mais eficientes.
Quais são as ações preferidas? O BTG privilegia companhias expostas à alta renda e com marcas fortes. Destaque para Vivara (VIVA3) e Track&Field (TFCO4). Os novos preços-alvo incluem: C&A de R$ 19 (antes R$ 23), Renner de R$ 20 (R$ 22) e Vivara de R$ 36 (R$ 38), refletindo um ambiente competitivo desafiador e os persistentes preços altos no varejo de moda.
Resumo e perspectivas. A combinação de câmbio favorável, competição global e custos domésticos sugere recuperação seletiva, com foco em eficiência, sortimento e digital. Para o investidor, a tese passa por resiliência de margens, capital de giro enxuto e exposição a consumidores de maior renda, enquanto os preços altos seguem como risco central ao setor.