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BTG corta recomendação da Petrobras (PETR4) e acende alerta nos dividendos

BTG corta recomendação da Petrobras (PETR4) e acende alerta nos dividendos
Petrobras (PETR4). Foto: divulgação.

O BTG Pactual rebaixou a recomendação da Petrobras (PETR4) de compra para neutra nesta sexta-feira (16), citando um potencial descompasso entre a política de proventos e o fluxo de caixa livre. Segundo o banco, esse desalinhamento pode pressionar as finanças da estatal a partir de 2026, sobretudo em um cenário de preços do petróleo mais moderados e compromissos financeiros recorrentes.

Os analistas afirmam que o risco político perdeu protagonismo para preocupações financeiras. O ponto central está no ritmo de pagamento de dividendos da Petrobras, que, na avaliação do BTG, tende a superar a geração orgânica de caixa em determinados cenários de preço do Brent. Esse quadro pode exigir maior disciplina na alocação de capital para evitar aumento do endividamento.

O banco destaca que investimentos elevados, despesas crescentes com leasing e a manutenção de proventos relevantes formam uma combinação que pode pressionar a estrutura de capital. Além disso, o aumento de compromissos operacionais e financeiros pode reduzir a flexibilidade para ajustes rápidos, caso o mercado internacional de petróleo enfrente volatilidade.

No operacional, o BTG ressalta a execução sólida no upstream, com a produção projetada para cerca de 2,7 milhões de barris por dia até 2028, apoiada pela entrada de novos FPSOs. Esse avanço reforça a eficiência dos projetos no pré-sal e a capacidade de entrega. No entanto, ganhos operacionais não eliminam o risco de um desbalanceamento entre caixa e proventos no médio prazo.

A atual política de proventos, segundo o banco, não contempla integralmente as despesas de leasing. Em um cenário com Brent a US$ 62 por barril, a estatal teria fluxo de caixa livre de US$ 6,5 bilhões, abaixo dos US$ 7,6 bilhões estimados em pagamentos. Para atingir neutralidade de caixa em 2026, o Brent precisaria ficar em torno de US$ 67,5 por barril.

Diante desse quadro, o BTG fixou preço-alvo de US$ 15,00 para os ADRs, sugerindo retorno total de 28% ao incluir dividendos da Petrobras. O banco reforça que a sustentabilidade dos proventos dependerá de disciplina de capital, dinâmica de preços do petróleo e execução dos projetos.

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