A corretora BTG Pactual revisou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de compra para neutra nesta segunda-feira (16), após uma expressiva alta de cerca de 40% nos últimos seis meses. Segundo o banco, a recente valorização limitou o potencial de retorno no curto prazo, levando a uma postura mais cautelosa em relação ao papel.
A principal razão para a mudança é a compressão do fluxo de caixa livre projetado. O BTG estima que o free cash flow yield da companhia fique entre 6% e 7% em 2026, abaixo dos 10%-11% observados quando a recomendação era de compra. Essa dinâmica reduz a atratividade para novos investidores no preço atual.
No campo do valuation, o múltiplo EV/EBITDA estimado para 2026 alcançou 4,6 vezes, nível acima da média histórica da siderúrgica. Esse indicador mostra quanto o mercado está disposto a pagar pela geração de resultados futura e sugere uma precificação mais exigente frente ao passado recente da companhia.
Como destaque positivo, o banco mantém visão construtiva sobre as operações nos Estados Unidos. O negócio no país já parece embutido no preço das ações, mas segue robusto: a expectativa é que represente mais de 70% do EBITDA consolidado em 2026, com margens em torno de 21%, sustentadas por eficiência operacional e demanda resiliente.
No Brasil, o cenário continua desafiador. A indústria lida com pressão nos preços, concorrência do aço importado e crescimento limitado de volumes, fatores que mantêm as margens comprimidas. Esses vetores domésticos ajudam a explicar a postura neutra, mesmo com a boa execução internacional.
Apesar disso, os analistas reforçam que a Gerdau segue como referência operacional na América Latina. “Seguimos vendo a Gerdau (GGBR4) como a melhor siderúrgica da região, porém com upside mais limitado após a recente valorização”, conclui o relatório, destacando que a relação risco-retorno está mais equilibrada no patamar atual.
