A Cosan (CSAN3) surpreendeu o mercado ao anunciar um aumento de capital de R$ 10,5 bilhões na véspera do Natal, reduzindo a dívida líquida de R$ 21,6 bilhões para R$ 14,1 bilhões. O movimento busca reequilibrar a estrutura financeira da holding após anos de alavancagem elevada, abrindo espaço para decisões mais racionais de alocação de capital e menor pressão de curto prazo.
Nos últimos anos, os dividendos das subsidiárias ficaram abaixo das despesas financeiras da controladora, especialmente após os investimentos intensivos na Raízen e as perdas de R$ 7,5 bilhões com a Vale. Com o aumento de capital, a Cosan passa a operar com um perfil de risco mais controlado e maior folga para executar seu plano estratégico.
Segundo o BTG Pactual, a empresa ganha tempo para monetizar ativos no momento mais favorável, evitando vendas apressadas e destruição de valor. A leitura do banco é que a melhora de balanço recoloca a holding em trajetória mais previsível, reduzindo o custo de capital e fortalecendo a confiança de investidores.
Participaram da operação Aguassanta, BTG Pactual Holding & Asset Management e Perfin, que aportaram R$ 7,25 bilhões em conjunto. Esse arranjo introduz um novo modelo de governança, em que decisões relevantes passam a exigir consenso entre os principais acionistas, promovendo maior disciplina e alinhamento de interesses.
O BTG estima que a Cosan negocia com desconto de 34% em relação à soma das partes. Com balanço mais leve, a Cosan pode reavaliar portfólio e priorizar iniciativas com retorno superior. Entre as alternativas estão a venda de ativos de menor desempenho e a otimização de despesas corporativas, com meta de R$ 150 milhões anuais. A recomendação segue de compra, com preço-alvo de R$ 10,50.
Em síntese, o aumento de capital reposiciona a companhia para capturar valor de forma gradual, mitigando riscos financeiros e reforçando a governança. Para o investidor da Cosan, o case combina desconto de avaliação, melhora de estrutura de capital e catalisadores claros, sustentando potencial de valorização superior a 100% no médio prazo.