A queda de 1,38% levou o dólar a encerrar esta terça-feira (27) a R$ 5,20, menor cotação desde 28 de maio de 2024. O movimento aprofunda a desvalorização no ano, já acima de 5% frente ao real, e consolida recuo superior a 12% em 12 meses. O ajuste refletiu uma combinação de fatores externos e domésticos que ampliou o apetite por risco e aumentou a oferta de moeda no mercado à vista.
No exterior, a sessão foi caracterizada por rotação para ativos fora dos Estados Unidos, com investidores buscando mercados emergentes diante da perspectiva de estabilidade financeira global e expectativas de política monetária menos restritiva adiante. Esse pano de fundo enfraqueceu o dólar no ambiente internacional, reduzindo a demanda por posições defensivas e abrindo espaço para moedas como o real se valorizarem.
A abertura da bolsa brasileira adicionou tração ao movimento. O Ibovespa acelerou ganhos e renovou recordes, superando 183 mil pontos, o que impulsionou entradas de capital estrangeiro em renda variável. Esse fluxo elevou a liquidez em reais, aumentou a oferta de dólares no mercado spot e pressionou a taxa de câmbio para baixo. O efeito de portfólio reforçou a tendência observada desde o início do ano.
Os dados do IPCA-15 contribuíram para um ambiente doméstico mais construtivo. A prévia da inflação desacelerou em janeiro, com alta de 0,20% na margem, abaixo de dezembro. Embora o acumulado em 12 meses tenha avançado para 4,50%, o resultado foi lido como alívio de curto prazo, sinalizando que a dinâmica de preços não impõe estresse adicional aos ativos locais.
Com a inflação comportada, o mercado enxergou espaço para continuidade de um viés monetário previsível, sem necessidade de aperto, o que sustenta o apetite por risco. Além disso, a percepção de melhora na relação risco-retorno do Brasil, combinada ao desempenho do Ibovespa, favoreceu alocações táticas em ações e câmbio. Nesse contexto, o dólar perdeu tração frente ao real ao longo da sessão.
Em síntese, a sessão reuniu três vetores: apetite global a risco, bolsa doméstica em máxima histórica e inflação corrente mais benigna. Juntos, eles ampliaram a entrada de recursos, aumentaram a liquidez e mantiveram a pressão baixista sobre o dólar. A continuidade desse quadro dependerá da sustentação do fluxo estrangeiro e da estabilidade das expectativas para a inflação e os juros.