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Dólar atinge menor cotação em 21 meses; o que aconteceu?

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dólar. Foto: Pixabay

A moeda americana encerrou a sexta-feira (20) em queda de 0,98%, cotada a R$ 5,176 na venda e R$ 5,175 na compra, alcançando o menor nível em 21 meses frente ao real. O movimento confirma a tendência de enfraquecimento recente da divisa, com baixa de 1,03% na semana e recuo de 5,69% no acumulado do ano, reforçando a pressão vendedora no mercado de câmbio.

A desvalorização do dólar no Brasil acompanhou o cenário externo. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda dos EUA frente a seis moedas de países desenvolvidos, também operou no negativo ao longo da tarde, indicando perda de força global. Esse contexto externo adicionou impulso ao ajuste doméstico, favorecendo moedas emergentes como o real.

O fechamento atual é o menor desde 28 de maio de 2024, quando a cotação terminou o pregão a R$ 5,1539. A sequência de quedas confirma a trajetória descendente observada nos últimos meses e alimenta expectativas de manutenção de volatilidade moderada, à medida que investidores reavaliam riscos e fluxos internacionais.

Dólar em queda: fatores externos e decisão judicial

A reversão mais rápida do movimento ocorreu após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas anunciadas por Donald Trump. Por 6 votos a 3, o tribunal invalidou as taxações globais impostas sob justificativa de emergência, avaliando que o IEEPA não autoriza medidas tarifárias amplas — prerrogativa que cabe ao Congresso. A leitura do mercado foi de redução de tensões comerciais imediatas, enfraquecendo o apelo do dólar como porto seguro.

Mesmo com o revés jurídico, Trump anunciou uma nova taxação global de 10% na tarde de hoje. O sinal político adiciona incerteza prospectiva, mas, no curto prazo, prevaleceu o impacto da decisão judicial, que favoreceu moedas de países emergentes e ativos de risco. Esse descompasso entre o ambiente legal e a retórica política deve manter o câmbio sensível a manchetes.

Para frente, o comportamento da moeda americana seguirá dependente do fluxo global, do apetite por risco e de dados econômicos dos EUA, além de fatores locais. A evolução do DXY, os discursos de dirigentes do Federal Reserve e a dinâmica de commodities continuarão no centro do radar dos investidores.

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