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Dólar renova máxima desde janeiro com tensão global; veja valor

Dólar renova máxima desde janeiro com tensão global; veja valor
Imagem gerada por IA

A moeda norte-americana acelerou a valorização nesta terça-feira (3) e, por volta das 14h, era negociada a R$ 5,293 na venda, alta superior a 2,4%. O movimento amplia o avanço de segunda-feira, quando o dólar subiu 0,62% e fechou a R$ 5,16, em sintonia com o fortalecimento global da divisa. No exterior, o índice DXY avançava 0,67%, refletindo a busca por proteção diante do aumento das incertezas geopolíticas. Na máxima do dia, a cotação superou R$ 5,33, maior nível desde 21 de janeiro.

A escalada das tensões no Oriente Médio segue no centro do radar, com relatos de novas ações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Esse ambiente reforça a aversão ao risco e incentiva a migração de recursos de mercados emergentes para ativos considerados mais seguros, o que sustenta a demanda por dólar e pressiona moedas locais. No Brasil, o movimento foi acompanhado por queda superior a 3% do Ibovespa, refletindo ajuste amplo de preços.

As sinalizações de Teerã sobre um possível bloqueio do Estreito de Ormuz aumentaram a cautela dos investidores. A passagem marítima é estratégica para o escoamento de petróleo e gás natural, e qualquer interrupção tende a encarecer os fretes, reduzir a oferta e elevar a volatilidade das cotações. Esse choque potencial em commodities energéticas realimenta pressões inflacionárias e muda a precificação de juros globais, com efeitos diretos sobre moedas e fluxos.

Perspectivas para juros nos EUA seguem relevantes. Com o mercado reavaliando o calendário de cortes do Federal Reserve diante de riscos geopolíticos e possíveis impactos sobre a inflação, os rendimentos dos Treasuries mantêm suporte, reforçando o apelo do dólar como ativo de liquidez. Essa combinação encarece o financiamento em países emergentes e restringe o apetite ao risco.

Como reflexo, investidores intensificaram a busca por proteção em ativos considerados porto seguro, como o ouro e os títulos do Tesouro americano. A estabilidade institucional e a profundidade do mercado financeiro dos EUA contribuem para a resiliência da divisa. A sessão anterior havia mostrado volatilidade, com mínima perto de R$ 5,12, mas a mudança de humor global inverteu o sinal de curto prazo.

Em síntese, a valorização do dólar combina choque geopolítico, receios sobre oferta de energia e realocação de carteiras para ativos defensivos. Enquanto persistirem as tensões e a incerteza sobre juros nos EUA, a pressão sobre moedas emergentes deve continuar elevada.

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