A Fitch Ratings rebaixou o rating de crédito da HAPV3 de ‘AAA(bra)’ para ‘AA+(bra)’, mantendo perspectiva estável. A decisão reflete margens pressionadas, menor geração de caixa e um ambiente competitivo mais desafiador, com implicações para a capacidade de sustentar crescimento em 2026. O desempenho operacional do terceiro trimestre ficou aquém do esperado pela agência, acendendo alerta para a evolução da rentabilidade e do caixa.
Entre julho e setembro, a Hapvida reportou lucro líquido de R$ 338 milhões, alta de 4,1% na comparação anual. Contudo, o Ebitda ajustado recuou 2,1%, para R$ 746,4 milhões, indicando pressão sobre a rentabilidade. A receita líquida somou R$ 7,8 bilhões, avanço de 6%, enquanto o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 51,9 milhões, evidenciando enfraquecimento da geração de caixa recorrente.
A alavancagem financeira líquida deve permanecer elevada, com projeção da Fitch de ficar acima de 2,5 vezes em 2025 e 2026. Em paralelo, o fluxo de caixa livre deverá ser negativo em 2026, cenário que limita a flexibilidade financeira e aumenta a sensibilidade a choques operacionais e competitivos. Segundo a agência, o desafio é retomar, de forma consistente, o crescimento líquido de beneficiários, principalmente em praças como Rio de Janeiro e São Paulo.
Apesar dos desafios, a Fitch ressalta fundamentos estruturais positivos, como escala relevante, presença nacional e liquidez adequada. A agência projeta Ebitda de R$ 3,2 bilhões em 2025 e R$ 3,4 bilhões em 2026, com margens próximas de 10%, o que sugere alguma resiliência operacional mesmo em um ambiente mais competitivo.
Perspectivas e limites para novo rebaixamento da HAPV3
A base de beneficiários deve alcançar 15,8 milhões em 2025 e 15,9 milhões em 2026, contribuindo para diluição de custos e eficiência gradual. Ainda assim, a alavancagem é estimada em 2,8 vezes nos próximos dois anos, nível próximo ao gatilho para novo rebaixamento. Qualquer surpresa negativa adicional em margens, sinistralidade ou geração de caixa pode pressionar a classificação.
Para preservar o rating, a companhia precisará fortalecer a geração de caixa, estabilizar margens e proteger a base de clientes nas regiões mais concorridas. Em síntese, a HAPV3 enfrenta um ciclo de ajuste, no qual execução operacional e disciplina financeira serão determinantes para evitar perdas adicionais de rating e recuperar a confiança do mercado.
