O Ibovespa desabou 3,28% nesta terça-feira (3), fechando a 183.104,88. A correção reflete o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a leitura fraca do PIB brasileiro no quarto trimestre, que reforça a percepção de desaceleração. Investidores migram para proteção, elevando a volatilidade e pressionando ações sensíveis ao ciclo econômico.
Durante o pregão, após semanas de oscilação estreita, o índice chegou a voltar à casa dos 182 mil pontos pela primeira vez desde 6 de fevereiro. O movimento ocorre em meio a reprecificação de risco global e alta dos prêmios de juros futuros, o que encarece o custo de capital e penaliza setores alavancados e de crescimento. A liquidez se concentra em papéis de grande capitalização, com rotação setorial mais evidente.
Por volta das 11h10, as petrolíferas figuravam entre os poucos destaques positivos, sustentadas pela alta do petróleo Brent e do WTI no exterior. BRAV3 lidera com ganho de 0,89%, seguida por PETR3 (+0,78%) e PETR4 (+0,63%). PRIO3 sobe 0,61% e RECV3 avançava 0,39%, apoiadas pela perspectiva de oferta pressionada e prêmio de risco geopolítico nas commodities. Esse desempenho atenua parte das perdas do índice.
Entre as maiores quedas, PCAR3 despencava 9,52% após pedido de tutela cautelar para bloquear ações detidas pelo grupo francês Casino Guichard-Perrachon, elevando incertezas societárias. A pressão se estende a empresas sensíveis aos juros, como RENT3, RENT4, VAMO3 e MRVE3, que recuam com a abertura da curva, refletindo expectativas de menor espaço para cortes adicionais na Selic.
Perspectivas e impacto do PIB no Ibovespa
No front doméstico, o PIB do quarto trimestre avançou apenas 0,1%, confirmando a desaceleração projetada por analistas. A leitura reforça o cenário de crescimento moderado em 2024, com consumo e investimento mais contidos. Para a renda variável, o dado reduz o ímpeto para setores cíclicos e aumenta a seletividade dos fluxos.
No exterior, a aversão ao risco se intensifica após relatos de ataques coordenados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Uma autoridade iraniana mencionou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio de petróleo, elevando o prêmio de risco nas commodities e a incerteza global. Em meio ao estresse, o Ibovespa perde suporte técnico e testa novas faixas de preços.
