O Ibovespa aprofunda a queda nesta quinta-feira (5), recuando 2,59% e marcando 180.568,25 pontos, em meio a aversão a risco global e balanços corporativos do 4º trimestre de 2025. Por volta de 13h10, o índice tocou a mínima intradiária na casa dos 180 mil pontos, ampliando as perdas semanais. O movimento reflete a cautela com o cenário internacional e a leitura mais defensiva dos investidores.
Em um ambiente de maior incerteza, bolsas no exterior também cederam, reforçando o pano de fundo negativo. por volta das 13h10, o S&P 500 caía 0,64%, a Nasdaq recuava 0,31% e o Dow Jones perdia 1,55% às 13h40. A escalada das tensões no Oriente Médio sustenta a busca por ativos de proteção, penalizando mercados emergentes e setores cíclicos. Esse realinhamento de risco pressiona o Ibovespa e reduz o apetite por ações locais.
A temporada de resultados adiciona volatilidade. As ações da Dexco (DXCO3) lideravam as perdas, em baixa de 4,94% a R$ 5 às 13h30, após divulgar prejuízo líquido de R$ 48,3 milhões no 4º trimestre. O papel reage à compressão de margens e ao ambiente macro mais duro para materiais de construção e madeira reconstituída. A Petrobras (PETR4) recuava 0,15% a R$ 40,44, com investidores à espera dos números após o fechamento, calibrando expectativas para dividendos e capex.
O dólar ganhou tração ao longo do dia, refletindo a procura por segurança e a saída de recursos de emergentes. Às 14h, a moeda avançava 0,78%, cotada a R$ 5,258 na compra e R$ 5,259 na venda, após tocar pico em R$ 5,28. Em cinco dias, acumula alta próxima de 2,5%, acompanhando a alta dos rendimentos dos Treasuries e o fortalecimento global do índice DXY, fatores que reforçam o movimento defensivo.
Entre os vetores domésticos, a sensibilidade do mercado a ruídos fiscais permanece, embora o fluxo externo e o noticiário internacional dominem o curto prazo. Setores expostos ao ciclo global e à taxa de câmbio, como varejo e construção, tendem a maior pressão, enquanto nomes defensivos e exportadores podem mitigar perdas.
No radar, seguem a leitura dos balanços de blue chips, a evolução do conflito no Oriente Médio e sinais de política monetária nas principais economias. Em um cenário de risco elevado, o Ibovespa deve manter volatilidade acima da média, com correções táticas e seletividade setorial guiando o fluxo.