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IFIX avança com realocação global e juros em queda

IFIX avança com realocação global e juros em queda
IFIX sobe em meio a rali do Ibovespa, mas alta dos FIIs tem base doméstica, dizem analistas

As tensões geopolíticas globais intensificaram a realocação de capitais, redirecionando recursos de mercados desenvolvidos para emergentes. No Brasil, esse movimento ajudou o IFIX a emplacar uma sequência de altas, em paralelo à aproximação do Ibovespa de suas máximas históricas, refletindo o apetite por risco e a busca por diversificação setorial.

Enquanto o Ibovespa encerrou 2025 com valorização de 34%, superando 160 mil pontos em dezembro e renovando recorde de 178 mil em janeiro, o IFIX avançou em ritmo mais moderado. Entre julho de 2025 e o início do ano atual, o índice de fundos imobiliários subiu 11,3%, passando de 3.426 para 3.820 pontos, e acumulou alta superior a 18% no ano, consolidando um ciclo de recuperação.

Segundo especialistas, os fluxos estrangeiros se concentram majoritariamente em ações, o que beneficia o mercado de equity. Vitor Frango, da ARX Investimentos, ressalta que os FIIs seguem lógica distinta, pois apenas uma pequena fração integra índices globais de emergentes, limitando a participação de gestores internacionais e amortecendo o impacto direto desses fluxos no segmento.

Os fundos imobiliários contam com benefícios fiscais ao investidor pessoa física, o que os torna mais sensíveis a variáveis internas. Taxa de juros, inflação e desempenho operacional dos imóveis pesam mais na precificação do que os movimentos internacionais. Essa dependência doméstica explica por que o IFIX reage de forma diferente em ciclos de maior entrada de capital estrangeiro.

Entre os segmentos, lajes corporativas subiram 1,65% no mês, shopping centers avançaram 1,36% e fundos de fundos cresceram 1,81%. Já os fundos logísticos tiveram alta modesta de 0,26%, enquanto o IFIX como um todo valorizou 1,25%, sugerindo uma melhora gradual, porém consistente, do apetite por risco no setor.

Gerardo Teixeira, da Suno Asset, destaca que o fechamento das curvas de juros e a melhora dos fundamentos imobiliários sustentam o movimento. Com vacância baixa em galpões e recuperação das lajes corporativas em São Paulo, o IFIX encontra suporte estrutural, reforçando a atratividade dos rendimentos e a resiliência do portfólio de FIIs.

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