O IPCA-15 acelerou 0,20% em janeiro de 2025, encerrando três meses de arrefecimento e marcando o maior resultado para janeiro desde 2024. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses avançou de 4,41% para 4,50%, segundo o IBGE. A leitura reforça a atenção do mercado financeiro às próximas decisões de política monetária e reacende o debate sobre a dinâmica de preços ao longo de 2025 e rumo a 2026.
Entre os grupos pesquisados, Saúde e cuidados pessoais exerceu o maior impacto individual, com alta de 0,81% e contribuição de 0,11 ponto percentual. O avanço foi liderado pelos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,38%, e pelos planos de saúde, com 0,49%. A composição indica uma pressão persistente de itens sensíveis a custos e reajustes contratuais.
No grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no índice, houve aceleração de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio voltou a subir após sete meses de queda, puxada por altas expressivas no tomate (16,28%) e na batata-inglesa (12,74%), além de carnes e frutas. A alimentação fora do domicílio avançou 0,56%, com reajustes em lanches e refeições, sinalizando inércia na inflação de serviços.
Do lado baixista, Habitação caiu 0,26%, em grande parte pela redução de 2,91% na energia elétrica residencial, beneficiada pela bandeira tarifária verde; esse item foi o principal impacto negativo do mês. Em Transportes, houve recuo de 0,13%, influenciado pela queda de 8,92% nas passagens aéreas e por reduções nas tarifas de ônibus urbano em capitais com políticas de gratuidade aos domingos e feriados, embora os combustíveis tenham subido, em média, 1,25%.
A dispersão regional mostrou alta na maioria das áreas pesquisadas. Recife liderou a variação mensal (0,64%), enquanto São Paulo registrou deflação de 0,04%, favorecida por recuos na energia elétrica e no leite longa vida. O quadro reforça que a alta de preços não está concentrada, espalhando-se por alimentos, serviços e bens essenciais.
Para 2025, e com reflexos no início de 2026, o comportamento do IPCA-15 sugere trajetória de desinflação mais irregular. Apesar da leitura mensal abaixo de dezembro, choques em alimentos e serviços seguem capazes de pressionar o indicador. O Copom deve considerar esse cenário ao avaliar espaço para novos cortes da Selic, mantendo prudência na condução da política monetária.