O IPCA encerrou dezembro de 2025 com alta de 0,33%, segundo o IBGE, confirmando um ano de inflação controlada. No acumulado de 12 meses, o índice avançou 4,83%, abaixo do teto da meta de 4,5% definida pelo governo, ainda que acima do centro de 3%. O resultado reforça a desinflação gradual observada ao longo do segundo semestre.
Em termos históricos, a variação anual foi a menor desde 2020, quando o indicador fechou em 4,52%. A travessia de 2025 foi marcada por pressões pontuais, mas com alívio nos preços de bens industriais e desaceleração de alimentos na reta final do ano. Apesar de períodos acima da meta, o IPCA voltou à banda de tolerância no fechamento do ano.
Em dezembro, houve desaceleração frente a novembro, quando a alta foi de 0,39%. Foi a terceira menor leitura para o mês desde 2017, quando o índice marcou 0,28%. O dado sugere perda de fôlego em segmentos sensíveis à renda e à normalização de cadeias, ainda que preços administrados sigam exigindo atenção.
Preocupações para 2025 começam pelos preços administrados. Segundo André Santos, economista da XP Investimentos, a inflação pode acelerar no primeiro semestre com reajustes de gasolina e tarifas de energia. Para o ano, ele projeta IPCA de 4,35%, com tendência de moderação a partir do terceiro trimestre, à medida que os choques de combustíveis e energia elétrica perdem intensidade.
Outro termômetro relevante é o relatório Focus, do Banco Central, que aponta expectativa de 4,25% para o IPCA em 2025, ante 4,22% na leitura anterior. A pesquisa semanal capta o humor do mercado financeiro e, no momento, indica cenário de inflação acima do centro da meta, porém dentro da banda e compatível com política monetária ainda cautelosa.
Para a política econômica, o quadro de 2025 dá margem a cortes graduais de juros, mas a evolução de administrados e a dinâmica fiscal seguem no radar. O IPCA de dezembro sinaliza equilíbrio frágil: há espaço para desinflação, desde que choques sejam temporários e expectativas permaneçam ancoradas.
