A Marcopolo (POMO4) recuava 4,62% nesta quarta-feira (4), negociando a R$ 6,20 por volta das 16h30, após o cancelamento definitivo da licitação do programa Caminho da Escola pelo FNDE. A decisão afeta diretamente a previsibilidade de entregas no curto e médio prazo, já que o edital previa a compra de 7,5 mil ônibus escolares e não há novo cronograma divulgado.
O FNDE informou que a licitação foi cancelada para adequação do edital a uma nova legislação de isenção tributária. Sem calendário para publicação de um novo edital, o mercado precifica o risco de interrupção temporária nas encomendas. Para a companhia, isso pode pressionar margens e volumes no segundo trimestre, dada a natureza recorrente do programa para a demanda interna.
Segundo o Itaú BBA, a notícia é negativa no curto prazo, pois o cancelamento — e não apenas uma suspensão — exige a realização de novos estudos técnicos antes de um novo edital. Os analistas ressaltam que o backlog vinculado ao programa se encerra em abril, elevando a probabilidade de uma lacuna nas entregas. A avaliação reforça o risco de desalocação temporária de capacidade produtiva.
Em contrapartida, o banco vê fundamentos resilientes no longo prazo. Quando o programa for retomado, a expectativa é de que a Marcopolo preserve participação próxima de 50%, sustentando sua posição dominante no segmento de ônibus escolares. Esse histórico de execução e competitividade tende a favorecer a retomada de volumes quando houver clareza regulatória.
O Itaú BBA mantém recomendação Outperform e preço-alvo de R$ 10,00 para o fim de 2026, o que implica potencial de valorização de 54% frente ao fechamento mais recente. A POMO4 segue apoiada por diversificação de portfólio, exposição internacional e disciplina de capital, fatores que podem mitigar parte do impacto conjuntural.
Para investidores, o evento adiciona volatilidade no curto prazo, mas não altera o case estrutural, desde que o novo edital seja publicado em prazo razoável e em condições comparáveis. Acompanhamento próximo do cronograma do FNDE e da dinâmica de encomendas no mercado interno será crucial para calibrar expectativas de entregas e margens.
