O Mercado Livre (MELI34) registrou lucro líquido de US$ 559 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 12,5% ante o mesmo período de 2024 e abaixo da projeção LSEG de US$ 587 milhões. A surpresa negativa pressionou as cotações: as ações caíram mais de 7% na Nasdaq e os BDRs recuaram 8,59% no Brasil, a R$ 75,87. Apesar do recuo no resultado final, a companhia mostrou avanço robusto de receita e resiliência operacional.
A receita total cresceu 45% ano a ano, para US$ 8,8 bilhões, superando as estimativas de US$ 8,5 bilhões. O Ebit somou US$ 889 milhões, alta de 8% e levemente abaixo do consenso de US$ 891 milhões. Esses números indicam expansão do negócio principal em meio a um cenário competitivo mais intenso, com maior gasto em iniciativas comerciais e logísticas.
Segundo analistas, os dados foram mistos. O Itaú BBA ressalta que a companhia acelerou investimentos para defender a liderança, especialmente no Brasil, onde o GMV avançou 35% na base anual. Essa estratégia tende a sustentar participação de mercado e reforçar o ecossistema de varejo e serviços financeiros.
A leitura é que o Mercado Livre estaria sacrificando parte da rentabilidade de curto prazo para preservar vantagens competitivas de longo prazo. A frustração no EBIT ajustado decorreu principalmente do aumento das provisões, reflexo da expansão e maior prudência na carteira de crédito, mesmo com inadimplência controlada.
A inadimplência entre 15 e 90 dias atingiu o menor nível histórico, sinalizando perfil conservador nas políticas de risco. Esse dado ajuda a mitigar temores sobre deterioração de qualidade dos ativos e sugere espaço para normalização de provisões ao longo dos próximos trimestres.
XP e Itaú BBA mantêm visão construtiva. O BBA enxerga quedas adicionais como oportunidade de entrada, projetando potencial de alta de 48,2% para 2026. Para investidores com horizonte alongado, a combinação de crescimento de receita, eficiência logística e fortaleza no crédito pode sustentar valorização, apesar da volatilidade recente do Mercado Livre.