O Mercado Pago decidiu adiar a busca por licença bancária completa no Brasil para priorizar crescimento operacional e engajamento do usuário. Executivos da MercadoLibre (MELI) explicaram que, no curto prazo, a fintech concentrará esforços nos mercados do México e da Argentina, onde já iniciou processos de licenciamento. A estratégia mira acelerar a adoção de produtos, ampliar a frequência de uso e fortalecer a proposta de valor no ecossistema financeiro digital.
A escolha foi descrita por André Chaves, vice-presidente no Brasil, como uma decisão estratégica — não um impasse regulatório. Segundo ele, o licenciamento é complexo e consome recursos tecnológicos, regulatórios e organizacionais que poderiam competir com lançamentos e melhorias de produtos. Essa priorização busca maximizar impacto no usuário enquanto cria bases para uma futura transição regulatória mais eficiente.
Os executivos reforçaram que obter licença bancária implica construir capacidades robustas de compliance, risco, capital e infraestrutura. Tais frentes exigem investimentos que, neste momento, são direcionados à expansão de serviços e à experiência do cliente. Assim, o Mercado Pago mantém seu plano de longo prazo: ser o banco digital líder na América Latina, com Brasil, México e Argentina como pilares.
A empresa afirma ter hoje “o cartão que mais cresce no Brasil em volume de transações”, fruto de melhorias na jornada do usuário. Embora a frequência de uso ainda esteja atrás dos bancos tradicionais, a gestão vê espaço para convergir esse indicador com ganho de conveniência, segurança e oferta de crédito. Entre as prioridades, está converter reconhecimento de marca em hábito de uso recorrente.
Para acelerar, o orçamento de marketing e patrocínios aumentará 118%, reforçando mensagens de confiabilidade, usabilidade e presença no dia a dia. A segurança tornou-se pilar após pesquisa com 12 mil brasileiros: a companhia lançou o “Modo Blindado”, que utiliza inteligência artificial para detectar golpes e comportamentos suspeitos, fortalecendo a proteção do ecossistema.
No front de mercado de capitais, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para MELI, com preço-alvo de US$ 2.835 e potencial de alta de 39%. Esse respaldo analítico sugere confiança na execução estratégica, mesmo sem a licença bancária no curto prazo. Em síntese, o Mercado Pago opta por maturar crescimento e engajamento antes de avançar na regulação local.