A Microsoft (MSFT34) despencou 12% nesta quinta-feira (29), fechando a US$ 423,48 na Nasdaq, enquanto os BDRs caíram 9,69%, a R$ 91,76 às 15h. O movimento reflete a frustração do mercado com os resultados da Microsoft, especialmente no que diz respeito ao retorno esperado dos investimentos em inteligência artificial. Apesar do aumento robusto de receita, investidores esperavam sinais mais claros de aceleração impulsionada por IA.
No segundo trimestre fiscal, a receita da Microsoft somou US$ 81,3 bilhões, alta anual de 17% e acima das projeções. Ainda assim, a Azure cresceu 39%, praticamente em linha com o consenso, sem indicar a inflexão que muitos antecipavam após aportes bilionários em infraestrutura e modelos de IA. Essa leitura reforçou a percepção de que a monetização plena do ciclo de IA ainda não se materializou.
Investidores também observaram que, embora a adoção de copilotos e serviços generativos avance, a contribuição incremental para o crescimento da nuvem permanece gradual. A ausência de aceleração visível na Azure, núcleo estratégico para escalar IA, alimentou questionamentos sobre o timing do “payback” dos projetos e a sustentabilidade de múltiplos elevados.
Concorrentes reforçam o escrutínio. Modelos como o Gemini, do Google, e agentes autônomos da Anthropic intensificam a disputa por workloads de IA corporativa. Esse ambiente competitivo pressiona preços, margens e a velocidade de captura de demanda, elevando a incerteza sobre liderança e diferenciação tecnológica no curto prazo.
Ainda que o pipeline de clientes e parcerias em IA permaneça sólido, o mercado exige evidências quantificáveis de upsell e expansão de ticket médio. A Microsoft sinaliza continuidade nos investimentos e ganhos de eficiência, porém a materialização de receitas recorrentes de alto valor tende a ocorrer ao longo de vários trimestres.
Em síntese, os números reforçam uma tese de transição: a companhia mantém fundamentos fortes, mas o ciclo de IA demanda paciência. Para ativos negociados com prêmio, a ausência de surpresas positivas pesa de forma desproporcional, justificando a correção enquanto se aguarda a próxima leitura operacional dos resultados da Microsoft.
