A MRVE3 caiu forte na última segunda-feira (9), recuando 7,85%, a R$ 8,57.. O movimento ocorre após a divulgação do balanço do 4T25, que trouxe sinais mistos: melhora no trimestre, mas fragilidade no consolidado do ano. A leitura dos investidores foi negativa, pressionando o papel e elevando a aversão a risco no setor de construção civil.
No quarto trimestre de 2025, a MRV&Co reportou lucro líquido ajustado de R$ 116 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 153 milhões do 4T24. O avanço indica recuperação operacional nas frentes domésticas, com ganhos de eficiência e disciplina comercial. Ainda assim, a performance ficou aquém do consenso, limitando o alívio esperado para as ações.
O Itaú BBA classificou os números do 4T25 como ligeiramente abaixo das expectativas. As operações brasileiras vieram 7% menores que o projetado, enquanto baixas contábeis em projetos descontinuados da Resia pesaram no resultado consolidado. Em contrapartida, houve melhora na alavancagem no Brasil, com dívida líquida sobre patrimônio recuando para 47%, sinal de avanço na desalavancagem.
Apesar da evolução trimestral, o ano de 2025 fechou no negativo: a MRVE3 acumulou prejuízo líquido ajustado de R$ 867 milhões, bem pior que o prejuízo de R$ 128 milhões em 2024. Esse descompasso anual reforçou a percepção de que a trajetória de recuperação ainda carece de consistência e visibilidade, fator decisivo para o humor vendedor no pregão.
O banco manteve recomendação neutra (market perform) e preço-alvo de R$ 9 para a ação. Para os analistas, é prudente aguardar maior clareza sobre a geração de caixa e a continuidade da desalavancagem antes de adotar uma postura construtiva. O foco permanece na execução, na redução de riscos e no equilíbrio entre crescimento e rentabilidade.
Em síntese, a leitura do mercado sobre a MRVE3 combina alívio pontual no 4T25 com cautela quanto à tendência anual. Investidores monitoram a capacidade de sustentar margens, reduzir endividamento e mitigar impactos da Resia, enquanto o papel reage à incerteza e à busca por sinais mais sólidos de virada.
