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ONCO3: Oncoclínicas busca fôlego com credores em meio à pressão financeira

ONCO3: Oncoclínicas busca fôlego com credores em meio à pressão financeira
Oncoclínicas (ONCO3). Foto: Reprodução Facebook

A Oncoclínicas (ONCO3) iniciou discussões com seus credores financeiros para renegociar prazos de pagamento de dívidas que vencem nos próximos meses, em mais um capítulo do processo de reorganização financeira da companhia. A informação foi divulgada em fato relevante ao mercado nesta segunda-feira (9), indicando que a empresa busca ganhar tempo para ajustar sua estrutura de capital.

Segundo o comunicado, a companhia avalia a possibilidade de prorrogar parcelas de principal e juros com vencimento próximo, em uma negociação conhecida no mercado como stand still. A iniciativa ocorre em meio a um cenário de elevada alavancagem e após mudanças recentes na liderança da empresa.

De acordo com a Oncoclínicas (ONCO3), a medida faz parte de um conjunto de ações voltadas à reorganização financeira e ao foco na operação principal do grupo.

“A administração da companhia iniciou discussões com seus credores financeiros em relação a uma eventual prorrogação de prazos de pagamento de parcelas referentes a principal e juros com vencimento nos próximos meses”, informou a empresa no fato relevante. 

Waiver e risco de quebra de covenants

Além da renegociação direta com credores, a companhia convocou assembleias de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre a concessão de waiver — uma autorização para eventual descumprimento de cláusulas financeiras.

Nesse caso, o pedido está relacionado ao indicador dívida líquida sobre EBITDA, um dos principais parâmetros utilizados em contratos de dívida para monitorar o nível de alavancagem das empresas.

Segundo o fato relevante, as assembleias foram convocadas para discutir a concessão de “renúncia prévia (waiver) para a eventual não observância […] do índice financeiro Dívida Líquida/EBITDA”, que será calculado com base nas demonstrações financeiras consolidadas de 2025. 

Na prática, a autorização permitiria que a empresa não fosse penalizada caso o indicador ultrapasse os limites previstos nos contratos de dívida.

Reestruturação e mudança no comando

O movimento ocorre em meio a um período de reorganização da companhia. A Oncoclínicas (ONCO3) tem enfrentado pressões financeiras após um ciclo de expansão acelerado nos últimos anos.

Depois do IPO realizado em 2021, a empresa ampliou sua estratégia de crescimento com aquisições e investimentos em hospitais, buscando integrar diferentes etapas do tratamento oncológico. Parte dessas iniciativas, porém, aumentou a complexidade operacional e pressionou a geração de caixa.

Recentemente, o fundador da empresa, Bruno Ferrari, deixou o cargo de diretor-presidente. O conselho de administração aprovou a nomeação do médico oncologista Carlos Gil Moreira Ferreira como CEO interino, enquanto a companhia conduz um processo de seleção para a liderança definitiva.

A empresa também contratou a consultoria Spencer Stuart para auxiliar na escolha do novo executivo-chefe.

Foco no core business da companhia

Com a reorganização em curso, a estratégia da empresa tem sido retomar o foco no core business, centrado no diagnóstico e tratamento oncológico.

Segundo a companhia, as negociações com credores e os pedidos de waiver fazem parte desse processo de ajuste financeiro.

“A administração entende que o conjunto de tais iniciativas permitirá que a companhia continue executando com sucesso sua agenda estratégica de alinhamento absoluto ao seu core business, de disciplina financeira e de eficiência operacional, visando a manutenção de suas operações e o atendimento a seus pacientes”, informou a Oncoclínicas (ONCO3) em fato relevante.

A empresa deve divulgar os resultados do quarto trimestre e do ano de 2025 no próximo dia 30 de março, quando o mercado terá uma visão mais clara sobre a evolução da alavancagem e da geração de caixa da ONCO3.

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