As agências S&P Global Ratings e Fitch Ratings cortaram os ratings de crédito da Raízen (RAIZ4) nesta segunda-feira (9), ampliando a pressão sobre a companhia em meio a uma crise de liquidez e governança financeira. O movimento intensifica preocupações do mercado sobre a saúde da estrutura de capital e a capacidade da empresa de rolar dívidas no curto prazo.
A S&P reduziu a nota de ‘BBB-‘ para ‘CCC+’, com perspectiva negativa, após a contratação de consultores financeiros e jurídicos pela empresa — sinal que aumenta o risco de reestruturação de passivos em termos considerados equivalentes a default. A agência citou fragilidade nas iniciativas de capitalização e venda de ativos anunciadas anteriormente, além de cenário operacional adverso.
A Fitch, por sua vez, rebaixou os ratings de inadimplência de longo prazo da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. de ‘BBB-‘ para ‘B’, mantendo observação negativa. A decisão incluiu o corte das notas de dívidas seniores internacionais, refletindo deterioração do perfil de crédito e incertezas sobre suporte acionário tempestivo.
Segundo a S&P, o espaço para ganhos operacionais é limitado, com os negócios de açúcar e etanol pressionando margens e fluxo de caixa. A agência vê risco elevado de eventos de crédito caso a empresa não execute rapidamente desinvestimentos e reforço de caixa. Já a Fitch destacou a ausência de aporte relevante por parte dos acionistas no prazo esperado desde a colocação dos ratings em observação negativa em outubro.
A Fitch projeta alavancagem alta, com dívida bruta em 5,4 vezes o Ebitda, patamar que restringe flexibilidade financeira e aumenta a dependência de condições de mercado para refinanciamento. Esses elementos sustentam a cautela das agências quanto ao horizonte de 12 meses para normalização do risco.
No mercado, as ações da RAIZ4 voltaram ao território de penny stock após breve recuperação acima de R$ 1 em janeiro. Por volta das 17h, os papéis eram negociados a R$ 0,84, próximos da estabilidade. Para analistas, a visibilidade segue baixa enquanto persistirem dúvidas sobre liquidez e execução de medidas de reforço de capital, mantendo os ratings de crédito sob pressão.
