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Raízen (RAIZ4) dispara 20%, mas recua nesta quinta (29); veja o que aconteceu

Raízen (RAIZ4)

Raízen (RAIZ4). Foto: Divulgação

A ações da Raízen (RAIZ4) disparou 20% nesta quarta-feira (28), alcançando R$ 1,05 e liderando os ganhos do Ibovespa em dia de novo recorde do índice. Os papéis voltam a operar acima de R$ 1 pela primeira vez desde outubro de 2024, rompendo um período prolongado de pressão vendedora e sinalizando melhora na percepção de risco por parte do mercado. Apesar disso, os papéis voltaram a recuar nesta quinta-feira (29).

Desde 6 de outubro do ano passado, os ativos ficaram abaixo de R$ 1, classificados como penny stocks, rótulo associado a empresas negociadas a valores reduzidos e maior volatilidade. Em 12 meses, as ações acumulavam queda superior a 46%, refletindo margens comprimidas, alavancagem elevada e cenário macro mais desafiador para companhias intensivas em capital.

A queda das taxas futuras de juros é um ponto central para a recuperação. Empresas com dívida relevante, como a Raízen, são sensíveis ao custo de financiamento. Com juros mais baixos, o custo de carregamento diminui, o fluxo de caixa tende a respirar e a percepção de risco melhora, abrindo espaço para reprecificação dos ativos. Esse alívio financeiro é reforçado pela expectativa de normalização gradual das condições de crédito.

A empresa avalia um aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, iniciativa vista como positiva para fortalecer o balanço. A injeção de recursos pode reduzir a alavancagem, alongar passivos e sustentar investimentos prioritários, especialmente em um ambiente em que o segmento de combustíveis enfrenta margens pressionadas. A combinação de desalavancagem e juros cadentes tende a sustentar uma trajetória mais previsível de resultados.

Outro vetor é a readequação do portfólio. O Cade aprovou a venda da Bio Polares, unidade de geração de energia por biogás. Ainda que o valor não tenha sido divulgado, o mercado interpreta a operação como um passo na reciclagem de ativos, com potencial de liberar capital, simplificar a estrutura operacional e reforçar o caixa. Esse movimento sinaliza disciplina na alocação, fator observado por investidores institucionais.

Com esses catalisadores, a ações da Raízen deixa o patamar de penny stocks e retoma o nível acima de R$ 1, movimento que, se sustentado, pode melhorar a liquidez e atrair novos fluxos. A continuidade dependerá da execução do aumento de capital, da dinâmica de juros e da entrega operacional.

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