TIMS3 recua 1,11% para R$ 23,98 nesta quarta-feira (21), mesmo com o Ibovespa renovando máximas intradiárias. O movimento ocorre após o Citi rebaixar a recomendação das ações da Tim de compra para neutra, movimento que adiciona cautela ao curto prazo do papel. O banco também reduziu o preço-alvo de R$ 27 para R$ 25, sugerindo potencial de alta limitado a cerca de 3% sobre o fechamento anterior.
Segundo o Citi, a mudança reflete um ambiente competitivo mais desafiador e um valuation menos atrativo. A casa avalia que a tese de investimento perdeu força diante de sinais de pressão no segmento móvel, especialmente no pós-pago, onde a portabilidade aumentou e a participação de mercado das operadoras segue em queda gradual. Esse quadro reduz a visibilidade para ganhos adicionais de receita e margem.
Análises técnicas e setoriais indicam que a recente valorização de TIMS3 foi sustentada sobretudo pela expansão de múltiplos, e não por melhora equivalente dos fundamentos. Para o Citi, isso deteriorou a relação risco-retorno das ações da Tim, tornando o papel mais sensível a revisões de crescimento e a eventuais campanhas promocionais no setor.
Desempenho relativo também pesa na decisão. Em 12 meses, TIMS3 avança 63%, superando VIVT3 (39%) e o Ibovespa (35%). Esse outperformance sugere que parte relevante das expectativas positivas já está refletida no preço, limitando espaço para surpresas altistas no curto prazo. A leitura é de um mercado “adiantado” em relação à entrega operacional esperada.
Apesar do rebaixamento, o Citi não indica um cenário adverso estrutural para a companhia. A visão neutra reflete balanço entre qualidade de ativos, disciplina de capital e o atual patamar de preço. Para reverter o ceticismo, o banco aponta que seria necessária aceleração de receita no pós-pago, menor pressão competitiva e maior conversão de eficiências em lucro.
Em síntese, a combinação de competição mais intensa, múltiplos esticados e ganhos já capturados no preço sustenta a recomendação neutra. Investidores devem monitorar indicadores de churn, portabilidade e evolução do ARPU, que podem redefinir o ponto de entrada nas ações da Tim.