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Totvs (TOTS3) despenca na Bolsa; entenda o que aconteceu

Totvs (TOTS3)

Totvs (TOTS3) - Foto: Divulgação/Totvs

A Totvs (TOTS3) liderava as perdas do Ibovespa na última quarta-feira (4), afundando 12,18% para R$ 38,29 por volta das 15h. O tombo ocorreu dois dias após a companhia anunciar a venda da Dimensa para a Evertec por R$ 950 milhões, movimento que pegou parte do mercado de surpresa e reprecificou expectativas para o curto prazo. Na segunda-feira (3), primeiro pregão após o anúncio, as ações já haviam recuado 3,26%.

A transação envolve a Dimensa, joint-venture formada com ativos da TOTS3 e da B3 (B3SA3). O preço sinaliza múltiplos inferiores aos negociados pela Totvs, apontando margens mais baixas do ativo vendido e menor potencial de crescimento. Segundo análises preliminares, a avaliação implícita de 21 vezes o P/L ficou abaixo dos cerca de 28 vezes da Totvs, acentuando a percepção de desconto.

Para o Santander, a operação é estrategicamente positiva por otimizar a alocação de capital e simplificar o portfólio. O banco entende que a empresa pode concentrar esforços em soluções core e acelerar a agenda de rentabilidade. Ainda assim, o preço pago pela Evertec reforça a leitura de que a Dimensa não capturava o mesmo patamar de qualidade e crescimento atribuído ao negócio principal, justificando a reação inicial negativa.

Além dos fatores específicos, o setor de tecnologia enfrenta um pano de fundo adverso. Resultados recentes da AMD vieram aquém do esperado e desencadearam uma onda de aversão a risco em software nos EUA. O índice americano do segmento acumula queda superior a 13% em seis pregões, a pior sequência desde março de 2020, contaminando pares no Brasil.

Perspectivas para a Totvs após a venda da Dimensa

A rápida evolução da inteligência artificial, antes vista apenas como catalisadora de crescimento, passou a ser observada também como risco aos modelos tradicionais de software. Esse debate pressiona múltiplos do setor e amplia a seletividade dos investidores. No caso da Totvs, o foco recai sobre a execução pós-desinvestimento, a capacidade de reinvestir os recursos em iniciativas de maior retorno e a manutenção do crescimento orgânico.

No curto prazo, a volatilidade deve persistir, com revisões nos modelos de valuation e comparações com pares globais. A leitura de que a empresa fortalece seu core pode sustentar uma recuperação gradual, dependendo de entregas operacionais e de comunicação clara do uso do caixa. A manutenção de margens, a disciplina na alocação e a visibilidade sobre novas avenidas de crescimento serão decisivas para reancorar a confiança na Totvs.

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