A Copasa (CSMG3) teve o preço-alvo elevado pelo UBS BB de R$ 36 para R$ 48 (+33,3%) até o fim de 2026, apoiado pelos avanços no processo de privatização. Embora o banco mantenha recomendação neutra, a análise passa a refletir uma nova leitura estratégica do ativo. Para o UBS, as ações da Copasa deixam de ser vistas apenas sob o prisma defensivo de uma estatal e passam a incorporar opcionalidade estrutural, em linha com mudanças legislativas recentes em Minas Gerais.
O banco revisou sua metodologia, substituindo EV/Ebitda por EV/RAB, múltiplo mais aderente a setores regulados. Com isso, estruturou dois cenários: manutenção do controle estatal, que implicaria preço próximo de R$ 32 por ação, e privatização, que suportaria R$ 64 por ação. A média ponderada leva ao novo preço-alvo de R$ 48.
Em relatório, o UBS ressalta que o debate migrou de “se haverá privatização” para “quão investível pode ser essa privatização”. A retirada da exigência de referendo popular, via PEC 24/23, eliminou um entrave central e aumenta a visibilidade do processo. A potencial melhoria de governança, maior eficiência operacional e contratos mais claros compõem o racional da reprecificação.
A privatização, segundo o banco, pode gerar re-rating estrutural dos papéis, condicionado à entrega de marcos regulatórios estáveis, transparência tarifária e um desenho contratual robusto por parte do governo de Minas Gerais. Palavras como previsibilidade e segurança jurídica ganham peso na modelagem de risco e retorno do ativo.
Impactos e cronograma da privatização das ações da Copasa
No campo político-legislativo, o Projeto de Lei 4.380/2025 segue para votação em segundo turno na Assembleia Legislativa. Para aprovação definitiva, são necessários 48 dos 77 votos; no primeiro turno, houve 50 favoráveis. O movimento ganhou tração após a eliminação do referendo em novembro, fortalecendo a agenda do governo Romeu Zema.
Se aprovado, o PL pode encerrar uma pauta que se arrasta desde o primeiro mandato do atual governo, abrindo caminho para etapas subsequentes do processo. Em síntese, as ações da Copasa incorporam agora um binômio claro: estabilidade regulatória e execução eficiente.
Caso esses vetores se confirmem, o potencial de valorização tende a se aproximar do cenário de privatização, sustentando o caso de investimento de médio prazo nas ações da Copasa.
