O Carrefour concluiu a venda de 22 imóveis do Atacadão para fundos imobiliários por R$ 975 milhões, conforme demonstrações financeiras publicadas no exterior. O anúncio ocorreu em evento corporativo realizado em Massy, na região metropolitana de Paris, na quarta-feira (18). A estratégia foi apresentada pelo CEO global Alexandre Bompard, destacando a disciplina de capital e a otimização do portfólio imobiliário.
A estrutura da operação envolveu duas gestoras. A Guardian Gestora adquiriu 15 propriedades por R$ 679 milhões por meio de um fundo imobiliário dedicado. Já a TRX Investimentos comprou os outros sete ativos por R$ 296 milhões, também via veículo administrado pela própria gestora. Juntas, as transações somaram os R$ 975 milhões.
O modelo adotado foi o sale and leaseback. Nessa configuração, o Carrefour vende os ativos e permanece como locatário, mantendo a operação das lojas. Os contratos preveem prazo de 15 anos, com opção de renovação por mais cinco anos, garantindo previsibilidade de ocupação e fluxo de caixa operacional.
Para o grupo, o efeito financeiro imediato foi a captura de cerca de R$ 100 milhões em ganho de capital, classificado como receita não recorrente no balanço de 2025. Esse resultado reforça a venda de 22 imóveis como alavanca de liquidez sem comprometer a continuidade das operações do Atacadão.
Além do ganho de capital, a operação tende a reduzir a necessidade de investimento próprio em imóveis e a liberar recursos para expansão, eficiência e transformação digital. Segundo a companhia, o redesenho do portfólio está alinhado à gestão ativa de ativos e à melhora do retorno sobre o capital empregado.
Em termos estratégicos, a venda de 22 imóveis via sale and leaseback aproxima o Carrefour das práticas de varejistas globais que monetizam propriedades para financiar crescimento. A combinação de prazos longos e opção de renovação sustenta a presença do Atacadão nas regiões atendidas, preservando escala e competitividade.